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Intervenção psicológica nas dependências com e sem substâncias

Intervenção Psicológica

 

As dependências com e sem substâncias, constituem um desafio para a intervenção clínica. Embora apresentem características especificas, partilham bases comuns e o potencial para afetar a autonomia e o quotidiano do indivíduo. Os comportamentos aditivos, apresentam a probabilidade de se encontrarem associados a perturbações psiquiátricas prévias e/ou posteriores a um quadro de perturbações por uso de substância.

 

Embora as características das dependências com e sem substâncias - estas últimas também denominadas de dependências comportamentais - impliquem características comuns na sua génese, as características específicas destas implicam, no entanto, diferenças significativas ao nível da intervenção psicológica. 

 

Avaliar e intervir

Para conseguirmos a prossecução duma intervenção psicológica eficaz, é fundamental realizarmos a avaliação com recurso a técnicas e manuais psiquiátricos, de acordo com as características específicas do indivíduo. Importa compreender o seu entorno, mais especificamente a nível individual, ambiental, familiar e social. A compreensão do indivíduo na sua globalidade encontra eco e fundamentação no modelo biopsicossocial, o qual nos ajuda a compreender o individuo na sua totalidade, a compreender os fatores de risco e de proteção para o ou os comportamentos aditivos e a assimilar a importância destes fatores para a estruturação de estratégias de prevenção eficazes.

 

Com base nestas informações, conseguimos estruturar uma intervenção mais eficaz e proceder à seleção do ou dos modelos e das técnicas de intervenção mais ajustadas. Neste aspeto, existem modelos conceptualizados, com base na literatura da especialidade, com maior relevância para a intervenção. 
Destacamos a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a qual se encontra consagrada como validada para a intervenção nas perturbações por uso de substâncias. No caso dos comportamentos aditivos sem substâncias, especialmente relacionados com a internet, a TCC não tem apresentado evidência na redução da sintomatologia, no entanto, não reporta o mesmo consenso, o que pode ser justificado pela heterogeneidade dos estudos realizados e pelas diferentes características dos comportamentos. 

 

Ressalvamos que na intervenção nas dependências, importa não esquecer a avaliação, pelo facto de que, nesta fase vai nos ser possível diagnosticar o indivíduo, com o conhecimento prévio da possibilidade de ocorrer um ou mais diagnósticos de patologia dual, ou de comorbilidade psiquiátrica (Castro & Pillon, 2020; Koob & Volkow, 2016). De acordo com a literatura, existem várias probabilidades de diagnóstico comórbil, em que estes podem ocorrer em fase anterior, simultânea ou posterior ao diagnóstico de perturbação por uso de substâncias, em que ambas podem interagir ativamente de modo a influenciar, não só a evolução da perturbação por uso de substâncias, mas também acarretar risco potencial para uma possível recaída, mesmo após um processo terapêutico e de abstinência. O que reforça a pertinência do rigor e da precisão da avaliação do diagnóstico, de modo a possibilitar uma intervenção bem estruturada e adequada não só às características do indivíduo, mas também, às suas necessidades.

 

A intervenção especializada reveste-se, assim, de extrema relevância pelas especificidades da ou das problemáticas em concreto, sem negligenciar as características em particular das perturbações por uso de substâncias e comportamentais, as quais apresentam o risco de poder condicionar o processo terapêutico. 

 

Conclusão

A compreensão das correlações entre as dependências e as características do indivíduo, bem como as características dos comportamentos aditivos, são essenciais para uma melhor compreensão do fenómeno e para alicerçar uma intervenção eficaz. 

 

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